Um tempo e as gavetas

Das lembranças boas de infância tenho minha mãe descendo armários inteiros, reorganizando a vida pra encarar janeiro e o ano que segue. Arrumar a própria casa pode ser transformador. Muitas vezes acabo voltando algumas coisas pra o mesmo lugar, mas faz parte criar o clima de mudança mesmo sabendo que iremos permanecer no mesmo endereço. Quase uma falsa despedida entre sacos de lixo seco. Nessas horas encontramos cartas guardadas, postais do tempo em que tínhamos calma pra esperar respostas. E a sensação de rasgar antigos boletos ou imagens com prazo vencido trazendo mais espaço físico e emocional renova a alma.
Com o celular já fotografo algumas fotos analógicas, lembro dos amigos e das passagens, nada é em vão. Lá se vão os casacos pesados parece que aliviando nossos ombros no calor. A nostalgia é um dom. Aceitar alguma melancolia e tristeza nos faz bem.

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